27/07/2006
NO MEIO DO CAMINHO Ver. 22.07
Para os amigos, que embora minha desgraça possa parecer ter graça, mas que de graça nada vem afinal, não é? Para bom entendedor (sabedor) meia palavra basta.
25/07/2006
PRELÚDIO:
Eu pretendia manter meu último site, mas não é possível. Primeiro porque o e-mail que eu utilizava para tal foi furtado, na primeira vez eu solicitei a Microsoft que prontamente me devolveu a conta, depois, quando roubada novamente decidi que a vontade do cidadão em roubar uma mesma senha duas vezes foi memorável e por isso acho que era realmente merecedor da conta. Isso já me ocorreu, a antena parabólica da minha casa foi roubada, sim aquelas antenas gigantescas, neste caso também achei válido, pois alguém que se presa a roubar algo assim, torna-se merecedor do objeto adquirido ilicitamente. Deixei. Então aqui, para desespero de uns e risadas de outros me debruço novamente às crônicas. Como em tudo na vida, somente a prática e dedicação tornarão meu trabalho melhor, por isso peguem leve por um tempo.
O SILÊNCIO É MORTAL
Você já se perguntou porque é que dizem que o silêncio é mortal? Numa divagação parva e completamente despretensiosa acho que descobri. O silêncio é mortal porque os cadáveres não reclamam. Você pode arranhar, beliscar, bater, traficar e assim mesmo eles continuarão a manter uma mudez letal, os mortos não revidam. Mortos não discutem política e economia, não sabem se o MST está ou não certo, eles não se importam se amanhã vai chover ou não. Mortos não consultam o horóscopo, não ligam e desligam o despertador o celular e a boca do fogão. Eles não precisam escovar os dentes, pentear os cabelos. Corpos em sua vida de finado vão no máximo uma vez ao médico, morto não pega gripe. Não dorme descoberto e, se dorme não está nem aí. Mortos não esquecem datas importantes, não tem patrão. Enfim, os mortos negam a existência a si e aos outros.
Passando agora da rigidez cadavérica e sutil deste texto, vamos pular para outra esquina. Negando o princípio da lógica, me desculpem os filósofos, mas este texto já começa errado pelo título, eu sei. Mas vou dar uma de morto e não vou me importar. Agora, me diga, são os mortos que são indiferentes a nós, ou nós que somos indiferentes a eles? Vejamos, você alguma vez não revidou? Não revidou porque você estava morto ou porque o objeto da réplica estava? Você alguma vez, por total descaso olhou a bina do celular e não atendeu? Não atendeu porque você estava morto ou porque você não atende ligações de cadáveres? Poderíamos fazer comparações durante todo o texto, mas creio que o caro leitor já pegou a veia do discurso.
DIVINA PROVIDÊNCIA
Assim como as sequóias envergam seus galhos centenas de metros do chão, não por sua vontade, mas sim por sua natureza. Os homens tendem a estender suas próprias dores a proporções estratosféricas, não porque desejem isso, mas porque não estão capacitados a observar as perspectivas dissonantes a sua vontade.A maior comprovação de tal pensamento é a fé. Estamos acostumados demais a recorrer a “divina providência” tais como os cristãos ortodoxos faziam e ainda, mesmo que em menor grau o fazem. A crença enganadora de que por encantamento tudo desaparece polui a alma e a razão dos homens. Não quero com isto desfazer o sentido original da fé, que é crer, o que quero dizer, é que embora tenhamos todas as razões (originárias do id) que na sua maioria são nada mais do que uma falácia que o próprio destino imprime aos homens. Acaba por tornar-se maior do que o objeto pelo qual incitou o sentimento de fé.
Outra coisa, é os seres tenderem a ser benevolentes consigo para logo mais julgar os outros com uma potência titânica. Ofender, punir. Talvez, logo ao lado das necessidades fisiológicas a vingança seja uma das máximas instintivas humanas, compreende uma certa atividade de auto preservação. Entretanto enquanto estes mesmo seres forem incapacitados de perceber, mensurar e medir, com calma e razão. Continuaremos no mesmo impasse da cobra que come sua própria cauda até que não exista mais nada.
A força da ira destrói o que o tempo constrói. As pessoas buscam a redenção nos outros enquanto estão incapacitadas de encontra-la em si.
O TEMPO SE BASTA
Para ler ouvindo “Older Chests”, Damien Rice
As coisas mudam quando você percebe que o relógio da cozinha anda para frente e o relógio da vida está atado a um mecanismo invisível em contagem regressiva, acorde, você está morrendo. Não acorde tarde para a vida, no despertar do relógio do tempo não tenha preguiça, não vire para o lado. Vá ver o sol nascer.
Viva para o essencial, se você é essencial para algumas pessoas, viva para elas, se você não for essencial você saberá, afinal não serão muitas as pessoas para as quais você deverá dedicar o seu tempo, a menos é claro que você seja como a Madre Tereza, o que convenhamos, não é o caso, pois se por acaso o fosse você não teria tempo para perder lendo isto.
Se por acaso lhe fosse concedida a barganha de ter dez minutos o que você gostaria de estar fazendo, com quem você gostaria de estar? Do contrário do que você imagina, você não terá muito tempo para pensar nisso, você tem apenas dez minutos.
Não teime com o tempo, ele sempre irá vencer, não seja inimigo do tempo, nunca ninguém o venceu e nunca ninguém vencerá, pois o tempo é senhor de todos os domínios é o grande Leviatã.
O tempo é indiferente, se trata-lo como inimigo ele irá devorar você, se ignora-lo ele sutilmente passará, nem debochar de você ele irá, pois o tempo não se perde nele mesmo. Como eu dizia, ele é supremo, dentro de si contém tudo, de Pandora a Morfeu, ele está em tudo, é o compasso de cada batida a menos que o seu coração dá. Está na tampa da pasta de dentes que caí no ralo da pia.
EXMUNDO
Portas fechadas, janelas cerradas
O mundo já não é mais meu.
Ouço os carros que deslizam na
pista ao longe,
Este mundo já não é mais meu.
Lábios semi-abertos, corando a pele
vejo os relógios de Dali a esmorecer
e escorrer
O corpo é a oficina da lascívia,
a língua, a mão. Ferramentas...
E o relógio de Dali escorre na parede
do tempo.
O tempo funde-se n'alma curva dos
devaneios do mundo aqui.
E este mundo nosso, deixa de ser meu.
A língua atrasa os ponteiros do
mundo de lá, para que os de cá,
serenados pelo deleite do calor
dos corpos, acelere a pulsação
adiantando para um meio dia sem fim,
onde a fome chega a hora toda e,
dura o tempo todo.
E este mundo nosso, agora, muito menos
nosso... Se extravia no tempo.
DESPERTADOR
Acho que iluminar é perceber-se dar aquela boa olhada e perceber as coisas como elas são, sem fantasiar ou criar cenários. É, simplesmente estudar o que o mundo dá para você. Dolorido? Claro que sim. O ser humano não está e talvez nunca esteja preparado para a perda. As vezes é preciso não existir. Pode uma pessoa existir e não existir? Claro que sim. Uma pessoa pode existir no mundo de alguém e não existir no mundo de outra pessoa. Uma pessoa pode ser importante no mundo de outra e não ser no de outra.
Este processo de existência e não existência é relativo e causa muita dor às pessoas. Quando você percebe num momento singelo que você não tem importância, que se você existir ou não, não fará diferença alguma no mundo de algumas pessoas. Mesmo que embora elas talvez façam ou tenham feito parte do seu mundo. É como tomar um soco no estômago, dolorido e angustiante.
O que é realmente importante? O que é essencial. Se você pode trocar ou substituir uma coisa por outra, significa então que não é tão importante. Se você é incapaz de fazer loucuras para manter isso, se você não está apto a cometer sacrifícios e fazer concessões isso significa que essa “coisa” não é essencial.
O fato é que não existe formula mágica. Para tudo existe solução. Para um machucado o tempo, para a dor um analgésico, para um coração partido um novo amor. Se você entender isso entenderá tudo. Não adianta fechar as portas, o mundo assim mesmo continuará a existir.
Eu tomei um soco no estômago.

